Para quem adora culpar o marketing por sua vida de consumo excessivo, saiba que pode transferir esse peso para as suas emoções.
Muitas pessoas acham que o mercado está constantemente criando produtos para aumentar o consumo, por um lado não é mentira, no entanto, não é toda a verdade.
Primeiro, pesquisas de mercado são aplicadas constantemente para descobrir novas tendências e comportamentos, em que, a partir daí, criam-se produtos que atenderão às novas necessidades dos consumidores.
Mas atualmente, quando as necessidades básicas da vida são atendidas, o que nos resta? Ser diferente, únicos e destacados. Não é à toa que as redes sociais crescem tanto com o mercado de influencer, porém o que poucas pessoas atrelam ou percebem no seu dia a dia é a questão das emoções.
Quantas vezes você comeu compulsivamente doce por está com raiva? Ou se compensa no fim do dia com alguma compra para se bonificar do estresse que passou?
São muitas ações que variam entre compras, alimentação, exercícios, entre tantos outros.
No livro rápido e devagar do autor Daniel Kahneman, aborda sobre as duas maneiras que pensamos. O pensamento rápido está atrelado a nossa rotina, coisas que já estamos habituados e que não precisamos parar para raciocinar como dirigir, andar de bicicleta, escovar os dentes e por aí vai; já o pensamento devagar é aqueles momentos que ficamos pensativos sobre qual decisão tomar, que no caso é o demorado.
O interessante desse livro, é que por natureza somos preguiçosos, a maioria da nossa rotina é baseada por comportamentos repetitivos, afinal, quem gosta de sair da zona de conforto. Pensar e tomar uma decisão leva- nos a um esforço, ou seja, gastamos energia, então, a questão que levanto é: gastamos sem pensar?
Sim e não. Não, porque a ação de gastar ou investir, está atrelado ao gatilho mental, é um estímulo que atinge diretamente o cérebro, que na área da comunicação e neuromarketing é uma técnica bastante conhecida, para incentivar a compra por meio das emoções.
E sim, temos ciência da compra, mas neste momento estamos utilizando o nosso cérebro rápido e como as emoções são mais fortes, é ele que manda se devo comer mais um pedaço de bolo ou não, claro, depende da situação.
No geral, todos nós, independente da classe econômica e raça, vivemos situações similares na vida, mas com enredos diferentes que geram lembranças que nos moldam como seremos na vida adulta inconscientemente, por exemplo, uma pessoa que nunca precisou trabalhar cedo para ajudar nas despesas de casa, dificilmente irá entender o valor do primeiro salário, ou uma mulher que sempre teve que lutar na vida para conseguir seu espaço e direito, terá dificuldades de ser cortejada por merecimento, pois poderá os considerar como tentativa de assédio. E muitas dessas situações, geram sentimentos espontâneos que não percebemos, somente se torna conhecido quando nos afeta de alguma maneira ou é apontado por terceiros.
Então, vivemos constantemente tendo vários gatilhos que influenciam nas nossas decisões que só iremos parar para pensar, se o cartão de crédito estourar, entre outras queixas conhecidas.
E é esplêndido de como ainda não percebemos o poder dos nossos sentimentos, mesmo que esteja em alta o tema de autoconhecimento, ainda damos pouco valor ao nosso desenvolvimento ao longo dos anos, do início ao o que nos tornamos hoje.
Voltando para a questão das vendas, vou pontuar alguns gatilhos para você identificar:
Aromatização é um gatilho bastante usado em lojas e restaurantes com aroma de café para estimular os paladares ou cheiro de bolo que acabou de sair do forno, esse é bastante utilizado nas vendas de casas;
Música ambiente pode te animar ou relaxar, ocasionando sua permanência por um tempo maior na loja;
Brincadeiras que podem lhe recordar da infância, usado muito nas redes sociais para aumentar engajamento.
No entanto, quero deixar um ponto de Atenção, para a nova geração Z, totalmente conectada ao sair da barriga, é importante ter cuidado com a quantidade de acesso à internet, não só pela questão do conteúdo, mas uma pesquisa realizada no Instituto Nacional de Saúde da França realizada pelo neurocientista Michel Desmurget autor do livro: “Fábrica de cretinos digitais” aponta que os dispositivos digitais estão afetando o desenvolvimento intelectual de crianças e jovens, que ao invés de estamos evoluindo estamos declinando por não estimular os nossos pensamentos, fora isso, ainda temos a presença do vício digital em que esses se tornam dependentes, pela dopamina de algoritmos.
Em suma, independente do preço e do prazo do seu negócio, se você busca fidelidade de seus clientes, você precisará de muitos estímulos para se relacionar e compreender os interesses e motivações deles.
Boa pesquisa, espero que tenha gostado e super indico a leitura dos livros aqui citados.

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